Mounjaro e pancreatite aguda: riscos, sintomas e o alerta da Anvisa
Por Instituto AG · 4 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

As canetas emagrecedoras mudaram o tratamento da obesidade e do diabetes. Com o uso cada vez maior, também cresceu a atenção para efeitos adversos raros, mas graves. O principal deles é a pancreatite aguda.
Neste post você vai entender o que a Anvisa alertou, qual é o risco real, quais sintomas pedem atendimento imediato e como o acompanhamento médico reduz esse risco.
O que a Anvisa alertou
Em fevereiro de 2026, a Anvisa publicou um alerta de farmacovigilância sobre o uso indevido dos medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1. A lista inclui dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro.
Os pontos principais do comunicado:
- o risco de pancreatite já estava descrito nas bulas aprovadas no Brasil;
- as notificações aumentaram, no Brasil e no exterior, o que motivou o reforço das orientações;
- os casos podem incluir formas graves, com necrose do pâncreas e risco de morte;
- os medicamentos devem ser usados apenas conforme a bula, com prescrição e acompanhamento;
- a agência afirmou que não houve mudança na relação entre risco e benefício desses remédios.
Segundo dados divulgados pela Anvisa, foram registradas 145 notificações de suspeita de eventos adversos desse tipo entre 2020 e dezembro de 2025, incluindo seis suspeitas com desfecho de óbito. Vale lembrar que notificação é suspeita, não confirmação de causa, e que esse número não mostra a frequência do problema entre todos os usuários.
O que é pancreatite aguda
O pâncreas é um órgão que fica atrás do estômago e produz enzimas digestivas e hormônios, como a insulina. Na pancreatite aguda, ele inflama de forma repentina. A maioria dos casos é leve e melhora com tratamento no hospital, mas uma parte pode evoluir de forma grave.
Qual é o risco real
A pancreatite é considerada um efeito raro desses medicamentos. Ela é mais comum por outras causas, como cálculos na vesícula e consumo excessivo de álcool.
O alerta não significa que o Mounjaro deixou de ser seguro para quem tem indicação. Significa que o uso precisa de critério e que os sinais de alarme precisam ser conhecidos por quem usa.
Sintomas que exigem atendimento imediato
Procure um pronto-atendimento se tiver:
- dor forte e persistente na parte de cima da barriga, que pode irradiar para as costas;
- náuseas e vômitos que não passam;
- barriga muito sensível ao toque;
- febre ou mal-estar intenso junto com a dor.
Efeito colateral comum ou sinal de alarme?
Náusea e desconforto digestivo são comuns no início do tratamento e após aumentos de dose. A diferença está na intensidade e na evolução:
| Efeito colateral comum | Sinal de possível pancreatite | |
|---|---|---|
| Dor | Leve, tipo estufamento | Forte, contínua, pode ir para as costas |
| Náusea e vômito | Leves, melhoram em dias | Persistentes, impedem de comer ou beber |
| Evolução | Melhora com ajustes na alimentação | Piora ou não melhora |
| O que fazer | Avisar o médico no retorno | Ir ao pronto-atendimento |
O que fazer se suspeitar
- Não aplique a próxima dose até ser avaliado.
- Procure atendimento médico e informe que usa tirzepatida ou outra caneta.
- O médico vai pedir exames de sangue, como amilase e lipase, e, se necessário, exames de imagem.
Pela orientação da Anvisa, se a pancreatite for confirmada, o tratamento com esse tipo de medicamento não deve ser retomado.
Quem precisa de mais cuidado
Alguns fatores pedem avaliação mais cuidadosa antes e durante o tratamento:
- histórico de pancreatite;
- cálculos na vesícula (a perda de peso rápida também aumenta a chance de formar cálculos, e a bula da tirzepatida cita eventos da vesícula);
- triglicérides muito altos;
- consumo frequente de álcool;
- uso sem prescrição, em doses maiores que as indicadas ou com aumento de dose rápido demais.
Como o acompanhamento reduz o risco
Um tratamento bem conduzido inclui:
- avaliação antes de começar, com histórico e exames;
- aumento de dose gradual, respeitando a tolerância de cada paciente;
- orientação clara sobre os sinais de alarme;
- atenção à hidratação, já que vômitos e diarreia podem desidratar;
- compra apenas com receita em farmácia regular. Desde junho de 2025, a receita desses medicamentos fica retida na farmácia.
Produtos vendidos sem receita, sem nota fiscal ou por preços muito abaixo do mercado aumentam o risco de falsificação, e aí nem dá para saber o que está sendo aplicado.
Se você quer entender o que esperar do tratamento em resultados, leia Mounjaro emagrece quantos quilos por semana?.
Perguntas frequentes
Ozempic e Wegovy também têm esse risco?
Sim. O alerta da Anvisa vale para toda a classe, incluindo a semaglutida.
Toda dor de estômago durante o tratamento é pancreatite?
Não. Desconfortos leves são comuns. O sinal de alerta é a dor forte, contínua, que pode ir para as costas e vem com vômitos persistentes.
Quem já teve pancreatite pode usar Mounjaro?
Essa decisão é individual e precisa ser discutida com o médico. Em geral, o histórico de pancreatite exige muita cautela na escolha do tratamento.
Referências
- Anvisa. Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras, fevereiro de 2026. Disponível em: gov.br/anvisa.
- Agência Brasil. Anvisa alerta para risco de pancreatite ligado a canetas emagrecedoras, 9 de fevereiro de 2026.
- Bula do medicamento Mounjaro (tirzepatida), Eli Lilly do Brasil.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


