Exame de testosterona: quando pedir, preparo e tipos
Por Instituto AG · 5 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

O exame de testosterona parece simples: uma coleta de sangue e pronto. Na prática, pequenos detalhes, como o horário da coleta, mudam bastante o resultado. Um exame feito do jeito errado pode sugerir um problema que não existe ou esconder um que existe.
Veja quando o exame é indicado, quais são os tipos e como se preparar.
Para que serve o exame
O exame mede a quantidade de testosterona no sangue. Ele é usado principalmente para:
- investigar suspeita de deficiência em homens com sintomas, como queda da libido e disfunção erétil;
- investigar excesso de hormônios masculinos em mulheres, com sinais como acne, aumento de pelos e menstruação irregular;
- acompanhar tratamentos com testosterona.
Os sintomas que costumam levar ao pedido estão em Testosterona baixa: sintomas e causas.
Tipos de exame
- Testosterona total: mede todo o hormônio circulante, tanto o que está ligado a proteínas quanto o livre. É o exame inicial na maioria dos casos.
- Testosterona livre: mede a pequena parte que não está ligada a proteínas e age diretamente nos tecidos.
- SHBG: é a principal proteína que transporta a testosterona. Ajuda a interpretar a testosterona total.
Dependendo do caso, o médico também pode pedir LH, FSH, prolactina, estradiol e hemograma.
Como se preparar
- Colete pela manhã, de preferência antes das 10h. A testosterona é mais alta no início do dia.
- Faça jejum, conforme a orientação do laboratório. A alimentação, principalmente com açúcar, pode reduzir o valor.
- Durma bem na noite anterior. Privação de sono reduz a testosterona.
- Evite coletar logo após doenças agudas, como gripes fortes ou internações. Nesses casos, o hormônio pode cair temporariamente.
- Informe todos os medicamentos e suplementos. A biotina, comum em suplementos para cabelo e unhas, pode interferir em alguns métodos de laboratório.
Se o resultado vier baixo, o exame precisa ser repetido em outro dia. As diretrizes pedem pelo menos duas dosagens baixas para confirmar a deficiência.
Método do laboratório faz diferença
Os laboratórios usam métodos diferentes:
- Imunoensaio: é o mais comum e funciona bem para os valores típicos de homens adultos.
- Espectrometria de massas (LC-MS/MS): é mais precisa para valores baixos, como os de mulheres e crianças.
Por isso, comparar resultados de laboratórios diferentes exige cuidado. O ideal é repetir o exame no mesmo lugar.
Quando a testosterona livre é importante
A testosterona livre ajuda quando a SHBG está alterada, porque a total sozinha pode enganar:
- SHBG baixa, comum na obesidade e no diabetes, pode deixar a total baixa com a livre normal.
- SHBG alta, comum com o envelhecimento, no hipertireoidismo e em doenças do fígado, pode deixar a total normal com a livre baixa.
A testosterona livre pode ser calculada a partir da total, da SHBG e da albumina, ou medida por diálise de equilíbrio, um método de referência menos disponível.
Para quem já usa testosterona
O momento da coleta depende da forma de uso:
- Injetáveis de aplicação a cada poucas semanas: a coleta costuma ser feita no meio do intervalo entre as doses.
- Gel: a coleta costuma ser feita algumas horas após a aplicação, depois de pelo menos uma semana de uso.
Siga sempre a orientação do médico que acompanha o tratamento.
Como interpretar o resultado
Os valores de referência, a zona cinzenta e o que fazer com cada resultado estão em Testosterona total: valores de referência e como interpretar.
Perguntas frequentes
Precisa de jejum para o exame de testosterona?
Na maioria dos casos, sim. A alimentação pode reduzir o valor. Confirme a orientação com o laboratório.
Posso fazer o exame à tarde?
Não é o ideal. A testosterona cai ao longo do dia, e um valor coletado à tarde pode parecer baixo sem que exista deficiência.
Um exame baixo já confirma que tenho testosterona baixa?
Não. É preciso repetir o exame e avaliar os sintomas antes de qualquer conclusão.
Referências
- Bhasin S, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


