Reposição hormonal masculina: quem pode fazer, benefícios e riscos
Por Instituto AG · 13 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

A reposição hormonal masculina, ou terapia com testosterona, pode mudar a qualidade de vida de quem tem deficiência real do hormônio. Ao mesmo tempo, virou alvo de promessas exageradas e de uso sem critério.
Neste post você vai entender quem tem indicação, quem não deve fazer, quais são os benefícios, os riscos e como funciona o acompanhamento.
Quem tem indicação
Segundo a diretriz da Endocrine Society, a reposição é indicada para homens com hipogonadismo confirmado, o que exige:
- sintomas compatíveis com deficiência de testosterona;
- testosterona baixa em pelo menos duas coletas feitas pela manhã e em jejum.
Veja os sintomas em Testosterona baixa e como interpretar o exame em Testosterona total: valores de referência.
Reposição não é anabolizante
A Resolução CFM nº 2.333/2023 proíbe a prescrição de hormônios esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo.
Ou seja: reposição é tratamento de uma deficiência diagnosticada, com dose para trazer o hormônio de volta à faixa normal. Não é uma forma de "turbinar" quem já tem níveis adequados.
Quem não deve fazer
As diretrizes listam situações em que a reposição não deve ser iniciada, entre elas:
- desejo de ter filhos em breve, porque a testosterona de fora reduz a produção de espermatozoides;
- câncer de próstata ou de mama;
- nódulo na próstata ou PSA elevado ainda não investigados;
- hematócrito elevado;
- apneia do sono grave sem tratamento;
- insuficiência cardíaca descompensada;
- infarto ou AVC recentes.
Para homens que querem preservar a fertilidade, existem alternativas que estimulam a produção própria do hormônio, avaliadas caso a caso pelo especialista.
Tratar a causa primeiro
Em muitos homens, a testosterona está baixa por causa de obesidade, apneia do sono, medicamentos ou uso anterior de anabolizantes. Tratar essas causas pode, por si só, melhorar os níveis do hormônio e evitar a reposição.
Formas de reposição
- Injetável de intervalo curto, aplicada a cada poucas semanas.
- Injetável de longa duração, aplicada em intervalos maiores.
- Gel na pele, de uso diário.
Quem usa gel precisa de um cuidado extra: o produto pode passar para mulheres e crianças pelo contato com a pele. Lavar as mãos e cobrir a área aplicada reduz esse risco.
Benefícios possíveis
Em homens com deficiência confirmada, a reposição pode melhorar:
- desejo sexual e função sexual;
- densidade dos ossos;
- massa muscular e força;
- humor e energia, com efeito geralmente modesto;
- anemia leve relacionada à deficiência.
E o coração?
O estudo TRAVERSE, publicado em 2023, avaliou homens com hipogonadismo e alto risco cardiovascular. A reposição não aumentou os eventos cardiovasculares graves em comparação com placebo. Por outro lado, houve maior frequência de fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda no grupo que usou testosterona. Por isso, o acompanhamento continua sendo essencial.
Riscos e efeitos colaterais
- Aumento do hematócrito, que deixa o sangue mais espesso.
- Redução da fertilidade e diminuição do tamanho dos testículos.
- Acne e pele oleosa.
- Retenção de líquido.
- Aumento das mamas.
- Piora da apneia do sono.
- Alterações no PSA, que precisam ser acompanhadas.
Como é o acompanhamento
O médico costuma reavaliar o paciente nos primeiros meses de tratamento e, depois, pelo menos uma vez por ano. O acompanhamento inclui:
- dosagem de testosterona, no momento certo conforme a forma de uso;
- hemograma, com atenção ao hematócrito;
- avaliação da próstata e do PSA, conforme idade e risco;
- avaliação dos sintomas e dos efeitos colaterais;
- exame dos ossos, quando indicado.
Perguntas frequentes
Depois que começa, a reposição é para sempre?
Depende da causa. Quando o problema está nos testículos, o tratamento costuma ser prolongado. Quando a causa é reversível, como obesidade ou medicamentos, pode ser possível suspender após tratar a origem.
Reposição de testosterona causa câncer de próstata?
Os estudos atuais não mostram aumento de câncer de próstata em homens sem a doença que fazem reposição bem conduzida. Mesmo assim, a avaliação da próstata faz parte do acompanhamento.
Posso fazer reposição para ganhar massa muscular?
Não. Sem deficiência confirmada, o uso de testosterona para fins estéticos ou de desempenho é vedado pelo CFM e traz riscos importantes à saúde.
Referências
- Bhasin S, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018.
- Lincoff AM, et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (TRAVERSE). New England Journal of Medicine, 2023.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.


