Menopausa

Reposição hormonal feminina: indicações, benefícios e riscos

Por Instituto AG · 7 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

Médica conversando com paciente de cerca de 50 anos em consultório claro

A reposição hormonal feminina, chamada pelos médicos de terapia hormonal da menopausa, já passou por fases de euforia e de medo. Hoje, com estudos mais recentes, a visão é mais equilibrada: para muitas mulheres, os benefícios superam os riscos. Para outras, ela não é indicada.

Neste post você vai entender para quem ela serve, quais são os tipos, os benefícios, os riscos e as contraindicações.

O que é a terapia hormonal da menopausa

É o uso de hormônios, principalmente estrogênio, para repor parte do que os ovários deixam de produzir. O objetivo principal é tratar os sintomas da menopausa, que você pode rever em Sintomas da menopausa: os sinais mais comuns.

Para quem é indicada

As principais indicações são:

  • ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos;
  • síndrome geniturinária: secura vaginal, dor na relação e sintomas urinários, geralmente com tratamento local;
  • prevenção da perda óssea em mulheres selecionadas;
  • menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura, em que a reposição costuma ser recomendada pelo menos até a idade média da menopausa.

A janela de oportunidade

Segundo a posição de 2022 da North American Menopause Society, para mulheres com menos de 60 anos ou com menos de 10 anos desde a última menstruação, sem contraindicações, os benefícios costumam superar os riscos.

Começar depois disso não é proibido, mas os riscos aumentam, e a decisão precisa ser ainda mais individual.

Tipos de terapia hormonal

  • Estrogênio isolado: para mulheres que retiraram o útero.
  • Estrogênio com progestagênio: para mulheres com útero. O progestagênio protege o endométrio contra o câncer.
  • Via oral ou transdérmica: o estrogênio pode ser tomado em comprimido ou aplicado na pele, em gel ou adesivo. A via transdérmica está associada a menor risco de trombose.
  • Tibolona: um medicamento com ação hormonal combinada, usado em algumas situações.
  • Estrogênio vaginal em dose baixa: trata os sintomas locais com absorção muito pequena pelo resto do corpo.
  • Testosterona: tem uma indicação com evidência específica, o desejo sexual hipoativo em mulheres na pós-menopausa. Falamos disso em Falta de libido.

Benefícios

  • Redução importante das ondas de calor e dos suores noturnos.
  • Melhora do sono, que muitas vezes vem junto.
  • Melhora da secura vaginal e da dor na relação.
  • Preservação da massa óssea e redução do risco de fraturas.

Riscos

Os riscos dependem da idade, do tipo de hormônio, da via e do tempo de uso:

  • Trombose e AVC: maior com estrogênio oral e em mulheres mais velhas.
  • Câncer de mama: associado principalmente ao uso combinado de estrogênio e progestagênio por mais tempo. O aumento de risco absoluto é pequeno, mas precisa ser considerado.
  • Câncer de endométrio: acontece se a mulher com útero usar estrogênio sem progestagênio.
  • Sangramentos e sensibilidade nas mamas, especialmente no início.

Quem não pode fazer

As contraindicações mais importantes incluem:

  • câncer de mama ou de endométrio, atual ou prévio;
  • trombose ou embolia anterior;
  • AVC ou infarto;
  • doença ativa do fígado;
  • sangramento vaginal ainda não investigado.

Outras condições exigem avaliação caso a caso.

Hormônios manipulados e implantes

O termo "bioidêntico" gera confusão. Existem hormônios idênticos aos do corpo em versões industrializadas e registradas, como o estradiol e a progesterona micronizada.

Já os hormônios manipulados podem ter variação de dose entre um lote e outro, e as sociedades médicas internacionais não os recomendam como primeira escolha. Implantes hormonais manipulados, principalmente os usados com finalidade estética, também já foram alvo de alertas de entidades médicas brasileiras.

Como é o acompanhamento

  • Avaliação ginecológica e mamografia em dia.
  • Controle de pressão, peso e exames metabólicos.
  • Reavaliação periódica, pelo menos anual, dos benefícios e riscos.

Não existe um prazo fixo para parar. A duração é decidida em conjunto, conforme os sintomas e a saúde de cada mulher.

Perguntas frequentes

Reposição hormonal engorda?

Os estudos não mostram que a terapia hormonal cause ganho de peso. O ganho de peso é comum na menopausa, com ou sem reposição.

Quanto tempo posso usar?

Não existe limite único. A decisão depende da idade, dos sintomas, dos riscos individuais e é reavaliada ao longo do tempo.

Posso começar a reposição muitos anos depois da menopausa?

É possível em alguns casos, mas os riscos são maiores depois dos 60 anos ou após 10 anos da última menstruação. A avaliação precisa ser ainda mais cuidadosa.

Referências

  • The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2022.
  • The 2023 Nonhormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2023.
  • Davis SR, et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2019.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos por profissional habilitado.

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